sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Ao Tempo

Pensava em todo mundo que tinha passado pela sua vida, sem sentimentalismos,
como se cada pessoa tivesse deixado e levado algo e em um severo ajuste de contas
com a vida, começou a compreender o quanto amava na verdade as pessoas que mais odiava.
Aquela mulher cheirando a flores mortas e com ares de solidão
Lhe encontrava em toda parte, mesmo quando não estava
Não estava na distância, não estava no tempo
Quanto mais tentava fugir, mais se aproximava da vontade de vê-la novamente
Quando a viu pela última vez, a encontrou mais bela do que em suas lembranças que insistiam em não ir
Devorava a calma, revelando em branco as cartas de seu futuro
Embora não conseguisse amá-la, já não podia viver sem
Tudo isso era normal e a normalidade era certamente o mais terrível.